China vê esperança nas negociações sobre a Ucrânia apesar de divergências
A China afirmou hoje que existe esperança nas negociações sobre a guerra na Ucrânia, apesar das divergências entre as partes, e indicou que os contactos em curso começaram a centrar-se em "questões substantivas" do conflito.
A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Mao Ning declarou que "a via para a paz não será alcançada da noite para o dia, mas enquanto houver diálogo, há esperança", ao comentar as recentes rondas de conversações entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia e outra prevista para o início de março.
Segundo Mao, embora persistam diferenças, as partes "estão empenhadas no diálogo" e começaram a focar-se em matérias de fundo relacionadas com a crise.
A responsável acrescentou que, durante o encontro desta semana entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, o líder chinês reiterou a "posição de princípio" de Pequim, baseada na procura de uma solução por via do diálogo e da negociação.
Mao defendeu a necessidade de assegurar a "participação equitativa de todas as partes", atender às suas "preocupações legítimas" e promover uma "segurança comum" como base para um quadro de paz duradouro.
A porta-voz reiterou que a China continuará a desempenhar "um papel construtivo à sua maneira" no apoio aos esforços de paz.
As declarações coincidem com o quarto aniversário do início da invasão russa da Ucrânia e surgem após acusações dos Estados Unidos nas Nações Unidas de que Pequim estaria a "facilitar" a máquina de guerra russa, alegações rejeitadas pelas autoridades chinesas.
Na véspera da visita de Merz, a diplomacia chinesa sublinhou ainda que a crise na Ucrânia "não é nem deve tornar-se um assunto entre a China e a Europa" e reiterou que Pequim mantém uma "posição objetiva e imparcial", não sendo parte no conflito.